Depois do sumiço (e achado) do Belchior, voltei minha atenção para outra questão do universo internáutico: a pouca habilidade com o português da apresentadora/modelo (fotográfico e pornográfico)/rainha/celebridade/cantora Xuxa.
Criança, eu era mais que uma fã. Vestia-me como ela, dançava como ela e até cantava com a voz esganiçada como a dela. Certa vez, aos 9 anos, falei para minha mãe que queria pintar os cabelos de loiro ou comprar uma peruca, já com os lacinhos. Não me envergonho do passado, mas sinto vergonha pelo presente e pelo futuro.
Percebo que ainda existem muitos “baixinhos” que não cresceram e que persistem em seguir esta mulher. As crianças de hoje não dão o menor Ipobe para ela. Minha sobrinha de 9 anos, por exemplo, tem ídolos bem mais jovens e menos infantis como Hanna Montana, Jonas Brothers e Isa TKM.
Ainda assim, eu me pergunto o que há de novo em Xuxa para ela querer gravar um filme infantil, sendo ela idolatrada por pessoas da minha idade? Não sou especialista em sociologia ou antropologia, mas vejo que Xuxa agrada àqueles que, como ela, sofrem da síndrome de Peter Pan e evitam deixar a Terra do Nunca e encarar a dura e enrugada face da velhice.
A coisa pode ficar pior. Xuxa não só tem a idade mental de 12 anos, como também tem a idade escolar de 12 anos. Depois de tentar, sem êxito, superar as dificuldades de adaptação às ferramentas do twitter, a rainha louca desceu do trono e distribui desaforos aos seus súditos.
Li alguns blogs e outras matérias não muito confiáveis e fiz um balanço sobre as coisas que poderiam ser verdadeiras sobre o comportamento de Xuxa no twitter. Primeiro, sem o menor traquejo com o estilo usado na internet, Xuxa tuitava tudo em caixa alta. Avisada por seus seguidores de que digitar assim é como gritar com as pessoas, ela não entendeu bem o recado e disse que era bobagem e que aquele era seu “jeitinho” de escrever. Depois de outros foras, Xuxa resolveu ceder e aprender a ter educação digital: “eu adoro esse jeitinho, mas falaram tanta coisa feia q tô eu aqui de igual prá igual.” Como se ela fosse feita de outra matéria que não músculos, sangue e ossos. Claro que isso foi apenas o começo. Um xou de erros de ortografia levou seus seguidores às raias da irritação, que passaram a devolver o sentimento com várias piadinhas acerca da intimidade da rainha com o português. Xuxa distribuiu mais uma saraivada de foras com a fineza e a destreza que lhe são peculiares. A gota d’água foi sua herdeira, que tuitou que gravaria uma “sena com a cobra” no filme protagonizado pela mãe. Não só o erro de ortografia de Sasha foi criticado (que poderia ter sido perdoado e corrigido, em se tratando de uma criança), mas também a resposta de Xuxa, provando que a emenda saiu pior que o soneto: “pra quem não sabe minha filha foi alfabetizada em inglês, vou pensar muito em colocar ela pra falar com vcs, ela não merece ouvir certas m…” Depois de apagar o tweet da filha, ela ainda soltou mais uma pérola: “fui, vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo.” Como diz Roberta Miranda, vá com Deus!
Li em algum blog que, como milhares de outros, descreveu a cena não tão insólita para o nível das celebridades, que esse episódio serviu para provar que as ferramentas da internet proporcionaram aos usuários uma arma poderosa para a crítica a tudo que os incomoda e que para o qual não se tinha oportunidade e canal para extravasar. No fim das contas, podemos expor aquilo que sentimos, a verdade nua e crua, que antes, como anônimos, éramos impedidos de dizer. Obrigada Xuxa, por abrir nossos olhos. Desejo que seja feliz bem longe daqui. Não está bom o tempo em Miami?

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