Feriadão de 7 de setembro, segunda-feira. Uma busca desesperada por "descanso" começou logo na sexta-feira, para alguns já na quinta. Engarrafamentos na cidade e nas estradas para regiões mais afastadas. Loucura na rodoviária e nos aeroportos. Região dos Lagos lotada, não importa se há nuvens escuras no céu, a praia está repleta de barracas e cangas estendidas. Conversas fiadas, bebedeira de fim de semana, dor de cabeça e ressaca. Uma casa de dois cômodos para 20 pessoas. Banheiros congestionados. Panelões de macarrão com carne moída no fogão. Depois, outra loucura para voltar para casa e começar mais uma semana.
Vejo essa cena como uma fuga louca da cidade, da casa que nos acomoda, do trabalho que nos sufoca e da nossa própria presença, às vezes feliz, e, no mais das vezes, solitária. Fugi disso dessa vez. Só dessa vez eu quis ficar comigo. Três dias da mais simples diversão, com a melhor companhia de todas: eu. Há tanta gente no mundo e tantas formas de se conectar a essas pessoas, é como se eu não pudesse ficar só. Só eu e eu.
Faço conexões com pessoas o dia inteiro. Acordo e ligo a TV para saber das primeiras notícias do dia, das condições do tempo e das rodovias. Pego um ônibus para o trabalho que logo fica cheio de pessoas pensativas, cansadas, com sono, falando em seus celulares, lendo seus jornais, ouvindo suas músicas. Chego no trabalho e mais pessoas. Elas digitam freneticamente nos teclados, trabalhando ou matando o tempo em suas redes sociais. Almoço: mais pessoas famintas por alguns minutos longe de seus desktops. A tarde corre, o chefe pede algo urgente, em cima da hora, tento me organizar para cumprir a ordem, já que um emprego legal e que pague bem não é fácil hoje em dia. Alguns minutos depois da hora de saída, deixo o trabalho, corro para pegar o primeiro ônibus, torço para não ter engarrafamento ou para ter algum amigo que ofereça carona... Droga, um trânsito horrível. Longa espera pelo ônibus lotado. Mais de uma hora depois estou em casa. Mal tiro os sapatos, o telefone toca. Duas horas de conversa com minha irmã sobre desventuras amorosas, problemas no trabalho, loucuras das amigas... Minha roommate pergunta se quero ver um filme e comer pipoca. Ok, por que não? Depois do filme, checagem geral: emails, twitter, orkut.Uma da manhã, finalmente vou dormir...
E tudo isso continua, é uma coisa sem fim. Às vezes, com algumas alterações, mas a essência é sempre a mesma. Então, nesse feriadão, decidi que eu não seria de ninguém, nem do trabalho, nem da minha irmã, nem da minha roommate, nem das amigas, nem de algum carinha, nem da internet. Eu seria só minha. Isso aí, passei o feriado fazendo coisas por mim. Eu tenho tempo para tudo, menos para mim. Não há tempo para ouvir o que eu quero dizer; para fazer o que eu quero fazer. Algumas vezes as pessoas são demais. Elas falam, cuspindo palavras pela boca. Você as ouve, dá conselhos, diz coisas maravilhosas que você mesma não faria.
A gente se desespera tanto por encontrar amigos, namorados, colegas; talvez nem todos estão realmente aí
para você. São outras pessoas na mesma situação: ninguém quer ficar sozinho. Eu fiquei sozinha nesse feriadão, enquanto todos viajaram ou procuram mais uma diversão barata que nos enche de alegria e cachaça todos os fins de semana. Diverti-me horrores comigo. Eu comi o que eu quis comer, bebi o que eu quis beber, paguei somente por aquilo que eu consumi, não rachei a conta. Eu assisti a todas as séries e filmes porcaria que eu queria assistir. Eu almocei Cheetos com Heineken. Eu fiquei acordada até as três da manhã fazendo o que eu queria fazer, indo aonde eu queria ir. Eu ouvi a minha voz, eu dei conselhos para mim, eu fiz promessas que espero cumprir. Espero ser leal comigo.
Não que eu não goste de estar com outras pessoas. Há pessoas que fazem da nossa vida uma festa ou um velório, todas têm o seu valor. Mas nesse feriadão eu queria estar comigo. E só. Eu queria saber de mim o que eu realmente quero, para onde eu estou indo e por quê. Descobri coisas fantásticas sobre mim, coisas que ninguém no mundo me disse, que ninguém nunca pensou. Descobri que eu não quero qualquer coisa, que eu não preciso de qualquer coisa. Eu não quero qualquer trabalho, eu não quero qualquer amigo, eu não quero qualquer namorado. Descobri que eu sou muito melhor do que eu imaginava, que eu tenho talento, um belo corpo, um papo legal. Talvez eu já soubesse disso, mas com tanta gente criticando ou elogiando - na melhor das hipóteses - a gente acaba não percebendo.
Eu mereço as coisas legais que acontecem comigo e não mereço as coisas não tão legais que acontecem pelo simples fato de que existe uma coisa que as pessoas falam e que parece bobagem: Eu não me achei no lixo. E por essa constatação tão óbvia, eu decidi fazer somente aquilo que realmente me faz feliz. Serei sincera comigo, e, por consequência, com os outros. Não vou mentir para agradar ninguém, não vou dizer que algo está ok, se não está. Não vou dizer eu te amo, se não amo. Não vou beber cerveja quente por que não tem mais gelada.
Esse feriadão foi o melhor do ano. Tenho certeza de que amanhã, quando eu voltar à rotina e todos estiverem falando do maravilhoso feriado longe da cidade e longe de si, eu estarei verdadeiramente satisfeita com os três dias de folga de tudo isso.
é amiga...fui obrigada a fazer o mesmo...nao porqure eu queria e sim,porque bebi tanto na sexta-feira...que fiquei passando muito mal!
ResponderExcluirMais tambem foi muito bom ficar em ksa!bjsss
Maravilhoso post! Parabéns, amiga.
ResponderExcluirQuando fazemos essa conexão com o nosso interior, percebemos que as dores são cada vez mais facilmente superadas.
Estou ficamos mais só, mas sem estar na solidão, porque tenho a mim como companhia e na maioria das vezes isso me basta! Curto cada instante, cada palavra, sorriso, cada segundo. E com isso descobri que escrevendo eu falo pra ca**lho!!! rs rs rs
Com saudades,
MM
Maravilhoso post! Parabéns, amiga.
ResponderExcluirQuando fazemos essa conexão com o nosso interior, percebemos que as dores são cada vez mais facilmente superadas.
Estou ficamos mais só, mas sem estar na solidão, porque tenho a mim como companhia e na maioria das vezes isso me basta! Curto cada instante, cada palavra, sorriso, cada segundo. E com isso descobri que escrevendo eu falo pra ca**lho!!! rs rs rs
Com saudades,
MM