Ontem assisti no You Tube, meu melhor substituto para a TV, à entrevista do humorista Leandro Hassum, da dupla Nós na fita e, infelizmente, do Zorra Total, no programa do Jô. Gargalhadas à parte, porque o cara é muito engraçado, ele falou de uma coisa séria, ainda que hilariante, sobre a qual eu me debato todos os dias, logo que acordo com a barriga roncando: por que aquela sua amiga varapau que come feito um leão da savana não engorda, enquanto você, que faz a dieta passa-fome da revista Viva! não emagrece nada, ou o que é pior, é capaz de engordar se engolir ar? Esse é um mistério da humanidade obesa.
Há três semanas dei início à dieta à base de chá verde da revista Viva! Tudo começou quando inventei de ir à praia, depois de amargar seis meses sem me sujar de areia, e me deparei com o espelho. Lá estava ela: uma boia envolvendo minha cintura, debochando de mim, gargalhando por cima do meu biquíni. Cruel.
Quase desisti de ir à praia, mas fui convencida pela melhor amiga. A varapau em questão. “Nanda, você está ótima. Isso não é gordura é excesso de gostosura, amiga. Pior sou eu, que vivo tomando Biotônico Fontoura e não consigo engordar... Não tenho bunda, nem coxa...” Filha da mãe, né? Não quis dar uma de estraga prazer e resolvi ir à praia. Quem sabe um banho de sol disfarça as gordurinhas? De qualquer forma eu estava decidida a dar início ao projeto verão: emagrecer até novembro, quando, extraoficialmente, começa o verão.
Cheguei à praia meio cabisbaixa, morrendo de vergonha de lançar minha boia ao mar, e qual foi a minha surpresa quando vi um mar bege, obeso e gordurento invadir a areia. Eu só tinha uma boia, tinha nego ali com três, quatro.
Não acho bonito esse lance de Mulher Melancia. Aquilo ali é um desbunde, ou melhor, uma abundância. Um pum daquela mulher acaba com a camada de ozônio. Aquela bunda paga IPTU, como diz o Cláudio Torres Gonzaga. E esse lance de dizer que os homens preferem mulheres daquele naipe... Bom, depende do homem que você quer agarrar... A trupe masculina que baba pela D. Melancia não faz meu tipo. Não, obrigada, dispenso.
Passei por todo o tipo de desconforto que uma mulher na minha condição poderia passar. Duas horas para tirar a camiseta, outras duas para sentar na cadeira de praia. A boia nos deixa sem posição. Se você quiser se abaixar para pegar o bronzeador, ela se dobra de tal forma, que você não consegue alcançar a bolsa.
Decidi só ir ao mar depois de me bronzear um pouco. Como eu já disse, a cor douradinha disfarça as gordurinhas. O bronze não vinha, mas o suor começou a escorrer. Não tinha escapatória. Driblei dois moleques que estavam rolando na areia, cinco cangas, três pontas de barracas do Ponto Frio, quatro queijos coalhos e dois surfistas (deles eu me escondi) e consegui chegar ao mar.
Água fria do caramba. Agosto, eu quero o quê, né? Não dava para esconder a boia no fundo do mar. Desesperada, olhei para os lados e não tinha nenhum carinha interessante do qual eu devesse me esconder. Aliviada, vi algumas coleguinhas igualmente desesperadas e outras nem aí, que exibiam suas boias douradas perpassadas por estrias ou arreganhadas com celulites com grande orgulho e majestade (...)

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