sábado, 29 de agosto de 2009

Eu, tu e quatro mano



Ser mulher, solteira e bem resolvida emocionalmente exige um esforço hercúleo para entender o que passa na cabeça de um homem, solteiro, e nem tão bem resolvido assim. Fato é que estou há alguns dias para relatar a história de uma amiga, que está na situação acima mencionada, e que, coitada, passa por muitas e boas, mas que me faz rir sempre que aparece.

A sequencia que vou relatar agora é verídica. Amiga, separada, 30 anos, linda e malhada. Doida para dar um troco no salafrário do ex-marido apenas sendo feliz com um cara bacana. Nada de mais. A não ser pelo fato de ela sempre, sempre, mas é sempre mesmo, escolher os caras errados. Ela tem o dedo podre.

Um aparte para definição de cara errado para a mulher certa. Quando se está com 30 anos, você se vê num momento em que não dá pra usar uma minissaia sem parecer abobalhada, nem uma roupa mais sóbria sem parecer idosa. Difícil. Você fica ali no meio termo. Quando se está com 30 anos e solteira, você fica meio paronoica achando que está ficando cada vez mais velha e seu útero vai parar de dar sinais de vida; ou então que está nova demais para casar e se encher de melequentinhos. É justamente nessa fase complicada que a mulher não pode dar mole e parar com o cara errado. O cara errado vai chegar, mais cedo ou mais tarde, geralmente naqueles lugares em que você só está porque uma amiga farofeira te disse para não ficar em casa por que você não vai arrumar ninguém desse jeito. Esse espécime, que não está em extinção, tem seu habitat natural em botequins pé-sujo, pagodinho na praia, ou simplesmente dando pinta na rua.

Então, você, mulher/garota de 30, meio carente, acha aquele carinha de roupa fuleira o máximo. O problema é que você tem a total certeza de que isso vai dar merda, mas está com muito álcool na mente para ter essa percepção. Ele joga aquela lábia e você cai. Ferrou. Você acha o beijo o máximo. Passadas algumas horas e aumentado o teor acóolico, você acha a transa o máximo. -1 pra você. Esse cara aí vai te ligar quando quer, talvez às 4h da manhã; o dia que quer, talvez numa terça-feira; pra sair pra onde ele quer, talvez outro pé-sujo.

Voltando e finalizando este post com a hilariante epopeia da amiga separada, ela se encantou por um desses. Estávamos nós, ela, mais cinco amigas, um amigo gay e eu nos divertindo sem dó nem piedade numa boate. Voltamos para casa e ela me pediu para dormir no meu apê. Ela e mais outras, enfim. Ás 4h da matina, eu estava no último sono, quando uma de minhas amigas me acorda e diz:

- Nanda, eu fiu beber água e a separada* (*identidade totalmente preservada) estava lá na área de serviço, debruçada na máquina de lavar falando baixinho no celular... Que será que aconteceu?
- Nem quero saber - eu disse. - Apague a luz e feche a porta.

Cinco minutos depois, a separada bate na porta do meu quarto de leve. Ouço um sussuro.

- Que que houve criatura? - eu disse, já meio acordada e desnorteada.
- Nanda, você não vai acreditar - disse ela com cara de espanto e a maquiagem borrada de quem nem lavou a cara.

É óbvio que eu acreditei:

Eu estava dormindo quando ouvi ao longe o celular vibrando em cima da mesa. Pra não acordar ninguém, fui pra área de serviço, pra atender o bendito, afinal, eram 4 da manhã. Advinha quem era? O cara errado*. 
- Pô, e aí mina, tá fazendo o que?
- A essa hora eu estava dormindo... E você?
- Pô, eu tô aqui na rua. Tu não tá afim de vir pra cá não?
- Hã? Como?
- Pô, tá rolando um baile no morro. É tranquilo, mina. Vem pra cá
- Eu acho que não vai rolar não...
- Pô mina, deixa de vacilação. Olha só, não tem erro não. Eu, tu e quatro mano (sic), no baile do morro. E tu ainda vai de primeira-dama...
- Cara... Puxa... Que legal, mas eu não tô nem em casa...
- Tá bom mina, depois num diz q eu não te chamo pra nada.


Depois dessa eu nem preciso dizer mais nada. O post tá grande, e eu preciso ir para o curso de inglês. Quem sabe por lá eu não encontro o cara certo. Que saiba falar, pelo menos, o inglês.

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