Ontem eu assisti à ótima, porém curta, entrevista de Stephenie Meyer no programa da Oprah. Surpreendi-me com a simplicidade da autora do megasucesso mudial Twitlight (Crepúsculo) e com as várias mensagens importantes que, implícita ou explicitamente, ela transmitiu.
A primeira conclusão a que eu cheguei foi que os jovens, não só do país de origem da autora, mas em todo o mundo, estão se interessando muito mais pela leitura. Não importa o que nós, adultos céticos e cheios de frescuras intelectuais, achamos. A importância de fenômenos com as sagas Crepúsculo, Harry Potter, Senhor dos anéis, O diário da princesa, e, no Brasil, Fala sério, Querido diário otário etc, é evidente para a reconstrução do hábito literário em jovens que estão às voltas com o mundo de 140 caracteres. Chega a impressionar o número de semanas que esses livros estão nas listas de mais vendidos. Mas tudo isso não se deve a uma questão puramente de negócios, obviamente. Mas eu me surpreendo que, por mais que todo mundo encha a boca pra dizer que o jovem de hoje só quer saber de internet e games, eu sempre vejo garotos e garotas de 11, 13 anos lendo um enorme livro nos ônibus, no metrô, nos bancos de escola...
Claro que esse estímulo em grande parte veio da internet, do boca a boca que se faz na rede. Isso porque, a meu ver, os pais de hoje não estão estimulando a leitura como faziam antigamente. Ninguém mais tem tempo para nada! E a partir dessa falta de estímulo dos pais, eu me pego pensando se vale a pena, hoje, as editoras ficarem jogando dinheiro fora investindo em literatura adulta quando esse público mal tem tempo para ler bula de remédio.
Eu, na minha parca experiência editorial de apenas sete anos, na coisa operacional mesmo, produzindo, vejo que o adulto de hoje não se interessa mais por literatura. Eu vejo a galera da minha idade toda voltada para twitter, orkut, pros blogs até... Eu acho que esse é um campo aberto pra gente de 25 a trinta e poucos anos. Para os mais velhos, pais de família, vejo só jornais, revistas semanais...
Minha mãe era leitora assídua de grandes romances, estilo E o vento levou, O retrato de Dorian Gray... Pergunto o que ela lê hoje e a resposta é: "Minha filha, não tô nem enxergando direito... Prefiro ver TV." E ela tem apenas 50 e poucos anos.
Os grandes romances de hoje são os mesmos, mas a gente prefere acreditar que são blockbusters, porque não interessam mais para nossa faixa etária, para nosso nível intelectual (rs). Aí eu vejo um bando de editores publicando coisas que foram sucesso um dia, mas que já deu o que tinha que dar. Ninguém inova nessa joça! E dá-lhe Paulo Coelho na ideia! Claro que vende, Paulo Coelho vai vender até morrer. Mas eu tô sentindo uma falta enorme de coisas novas.
O Crepúsculo foi uma coisa nova, inaugurou uma nova era. A era das sagas, das trilogias, do suspense para a próxima edição. Isso alimenta a nossa imaginação, será que os editores não percebem isso? Não percebem que o jovem é o grande trunfo do mercado, que o jovem quer ler sim, e quer suspense, conteúdo, forma, correção...
Podem me jogar pedras, mas eu adoro a Intrínseca. Eu acredito que é uma editora que tem uma proposta jovem, uma cara jovem. E é esse o alvo de hoje.
Fora isso, tem outra questão que me vem à cabeça, influenciada pela S. Meyer: os editores não querem dar chance a novos autores. Isso é algo das antigas... S. Meyer foi rejeitada uma série de vezes antes de conseguir publicar seu livro. E por quê? Porque, a meu ver, fica todo mundo disputando velhos autores, velhas fórmulas que já não interessam a mais ninguém.
Eu acredito na urgência em se prestar atenção aos novos autores, à essa galera de blog, que sonha, que tem uma imaginação superfértil e que não consegue entrar nesse mercado porque fica todo mundo olhando para o próprio umbigo, esperando velhos autores darem o ar de sua escrita. Tem muita S. Meyer por aí. Bobos são aqueles que não querem tirar os antolhos.
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