sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A arte de ser feliz saindo do lugar





Muita gente acha que envelhecer não tem nenhuma vantagem. Eu até pensava assim quando tinha meus 28 anos, já que estava quase entrando na casa dos 30.
Com 32 anos, eu vejo o quanto eu avancei intelectual e emocionalmente em apenas dois anos. Foi fundamental para meu avanço todas as porradas que levei, todos os “nãos”, todos os esporros, todas as desilusões. Fato é que no momento em que passei por esses percalços, chorei como um gato no cio. Mas eu sempre pensei: “Eu vou sobreviver a isso.”
Eu simplesmente acredito que se nós, mulheres, sobrevivemos todo mês à menstruação, que é a pior coisa que podia acontecer a um ser humano, a gente pode sobreviver a um coração partido, à falta de dinheiro para comprar aquela blusinha, àqueles dias em que simplesmente seu cabelo não tem forma...
Toda vez que eu passo por um momento de decisão que vai me render um belo sorriso ou um rímel borrado, eu penso: “O importante é dizer a verdade, aguentar as consequências e partir para o abraço.” Ainda que a decisão não tenha sido favorável para mim neste momento, pode ter certeza, e nisso eu boto minha mão no fogo, que mais para frente eu vou agradecer não ter acontecido aquilo que eu esperava.
Neste momento de “que merda, deu tudo errado”, o mais importante é sair da situação de cabeça erguida. É acreditar que eu fiz a coisa certa porque era aquilo que meu coração pedia. E quando o coração pede, querida... Não há cérebro que consiga impedir.
Parto do princípio de que problemas todos têm. Não há um único ser neste planeta, rico ou milionário, que não tenha um problema, seja financeiro, profissional, afetivo ou neurológico. O mundo despeja os problemas sobre nossas cabeças e nosso dever é enfrentá-los, nos armar de espadas, escudos, bolsas e derrotá-los. O negócio é partir com tudo para cima deles, sempre acreditando na vitória. Independentemente do resultado da nossa decisão — positivo ou negativo —, só o fato de ter tomado uma decisão já é uma vitória. A pior coisa do mundo é aquela pessoa que está sempre em cima do muro, não fode nem sai de cima, se acomoda com o que tem.
Um fato que contribuiu muito para essa nova fase, foi a recente viagem que fiz a Buenos Aires, minha primeira viagem para fora do país. Minha timidez nunca me permitiu grandes avanços em termos sociais, mas estando em um país estranho, fora do meu ninho, acabei aprendendo a me virar. Logo eu perdi a vergonha de falar aquele meu inglês macarrônico, aprendido a duras penas nos cursinhos; tentei falar espanhol, fazer mímica... Quando a gente tem que sobreviver, perde-se a timidez, perde-se a vergonha.
Então por que não pensar sempre que a gente tem que sobreviver? Por que não acreditar sempre que você tem que se virar, que você está só e precisa chegar em algum lugar somente com sua força de vontade?
Uma vez eu li que ser feliz é um estado momentâneo de espírito. Para mim isso é e não é verdade. Às vezes os momentos felizes acontecem sem que você tenha que se esforçar para isso: uma reunião familiar no Natal, a restituição do IR, um presente de aniversário, um lindo dia de verão... Mas, pode contar, a maioria dos momentos felizes da nossa vida só aconteceu porque a gente correu atrás deles, porque não ficamos paradas esperando que eles acontecessem, porque simplesmente nos movimentamos, saímos de uma zona de conforto.
Se a gente é quem faz nossos momentos felizes, eles não podem ser momentâneos, já que a gente tem potencial para que eles sejam eternos. Eu estourei minha bolha. Eu saí do closet para experimentar o mundo. Tô aí nas quebradas, mano. Tô na pista pra negócio.

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