Eu estava num bate-papo virtual com uma amiga que está participando de um processo seletivo. De manhã eu tinha falado com ela por telefone e por acaso me lembrei de perguntar sobre o processo, e ela me disse que ninguém tinha procurado por ela depois de passadas duas ou três semanas da primeira fase. À tarde, ela entrou no bate-papo e me disse: “Fernanda, você me dá sorte. Me ligaram da empresa e eu vou para a terceira e última fase do processo!”
Engraçada a sensação que eu senti quando li “você me dá sorte”. Eu fiquei feliz por ela, fiquei feliz por saber que algo positivo está acontecendo com ela, que ela está empolgada com isso e que tem esperanças. Fiquei feliz por ter uma participação, ainda que mínima, na felicidade dela.
É incrível como o tempo é bom pra gente e ainda reclamamos que ficamos mais velhas e enrugadas. Eu adoro fazer aniversário e ver como eu estou diferente de cinco, seis anos... De uma pessoa egoísta e reclamona, rebelde e destituída de amor, estou sentindo que vou me tornando uma pessoa mais paciente e zelosa, desacelerada e afetuosa. A juventude nos deixa impaciente por crescer, ser alguém, ter dinheiro, ridicularizar os pais... Isso acaba cansando. Graças a Deus.
Nisso tudo descobri como é bom participar da felicidade alheia. Ajudar as pessoas com algo que você entende. Muita gente diz que temos que ser solidários com o pessoal de Angra que perdeu tudo no Ano-novo. Outros visitam a África ou trabalham com crianças vítimas de violência. Eu admiro muito essas pessoas, mas meu nível de solidariedade não alcançou esse patamar, ou eu realmente me preocupo com outro tipo de problema. Não menosprezo “meus” desamparados, não! Eles são tão carentes como uma criança na África. E eu sempre ouvi que se deve fazer o bem, sem olhar a quem.
Eu não tenho grana nem posso me dar ao luxo de deixar meu trabalho para viver na África. Mas eu tenho uma coisa que considero bem legal: ouvidos. Eu ouço muito as pessoas, e dou conselhos também. Alguns conselhos eu não pratico, porque em casa de ferreiro, espeto é de pau; mas a maioria eu tento viver no meu dia a dia.
Taí, hoje eu me considero uma pessoa feliz. Não porque trabalho ou tenho meu apê (alugado). Até porque me faltam váaaaaaaaarias coisas, um namorado, por exemplo. Mas eu me considero uma pessoa feliz porque sou supercapaz de me animar com coisas muito simples como a felicidade alheia. Sou feliz porque não preciso invejar as coisas dos outros, já que compreendo que tenho tudo aquilo que eu preciso. Sou feliz porque tive e tenho a maior força de vontade quando entro numa dieta (sempre acredito que sou capaz, que eu vou conseguir sobreviver sem um chocolate diário). Sou feliz porque não sou igual nem inferior a ninguém. Sou feliz porque gosto de praia e caipirinha. Sou feliz porque moro no Rio. Sou feliz porque enxergo, ouço e ando. Sou feliz porque tenho duas gatinhas. Sou feliz porque posso dormir até tarde no domingo. Sou feliz porque danço esquisito e não me importo. Sou feliz porque faço ouvido de mercador para quem fala abobrinha. Sou feliz porque posso viajar nas férias. Sou feliz porque posso comprar o lanche mais caro do Bob’s. Sou feliz porque comprei uma bolsa de couro legítimo. Sou feliz porque tenho uma família. Sou feliz porque a vida é curta e eu não tenho tempo a perder.

Não temos tempo a perder! Belo texto. Beijão
ResponderExcluirAjudar sem olhar a quem, isso é o belo...e não diz respeito a ajudar os pobres e sim a quem precisa, independente do q essa pessoa precisa!! Sou tua fã!
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